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Sun Yuanyuan é desclassificada em Berlim após usar bicicleta

A chinesa teve o tempo retirado da prova após imagens e parciais apontarem uso de bicicleta perto da reta final.

· 7 min de leitura
Sun Yuanyuan é desclassificada em Berlim após usar bicicleta
Foto: Lear 21 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em poucas linhas

  • A Maratona de Berlim retirou o resultado de Sun Yuanyuan após imagens mostrarem a influenciadora em uma bicicleta.
  • A OMTIU cruzou fotos e parciais e apontou um trecho final fora do padrão da prova.
  • Sun pediu desculpas, admitiu a violação e perdeu a parceria com a Brooks China.

A influenciadora chinesa Sun Yuanyuan, conhecida como Abeeeer, foi desclassificada da Maratona de Berlim depois de ser flagrada em uma bicicleta durante parte do percurso, informou a CNN Brasil com base na apuração do caso. O tempo que ela havia celebrado como recorde pessoal foi retirado da classificação oficial após a checagem de imagens e dos registros da prova.

O flagrante na reta final

A corrida foi disputada em 27 de setembro, na Alemanha, e o episódio ganhou corpo quando fotos começaram a circular nas redes sociais mostrando Sun sentada na parte traseira de uma bicicleta em um trecho próximo aos 38 quilômetros do trajeto. A maratona tem 42,195 quilômetros e a cena apareceu justamente na parte final, quando a prova costuma ficar mais sensível para a checagem de parciais e de posição dos atletas.

Sun havia cruzado a linha de chegada em 4h53min46s e divulgado o resultado como sua melhor marca pessoal. O dado, porém, passou a ser questionado assim que as imagens vieram a público e começaram a ser comparadas com os tempos registrados ao longo do percurso.

Segundo a cobertura da Veja, o número de peito confirmado na prova correspondia à identidade da influenciadora, o que eliminou dúvida sobre quem aparecia nas imagens. A discussão deixou de ser sobre identificação e passou a se concentrar no modo como o resultado foi obtido.

Como a suspeita foi levantada

A Official Marathon Time Integrity Unit, ou OMTIU, entrou no caso ao analisar registros considerados suspeitos. O grupo acompanha possíveis irregularidades em corridas e cruzou o material visual com as parciais divulgadas pela prova, o que aumentou a desconfiança em torno do desempenho da chinesa.

O ponto que mais chamou atenção foi a variação de ritmo no fim da maratona. Entre os quilômetros 35 e 40, Sun completou cinco quilômetros em 30min49s, o trecho mais rápido de toda a prova. A parcial foi mais de seis minutos melhor do que os cinco quilômetros anteriores, exatamente na região em que ela apareceu sobre a bicicleta.

A combinação entre foto e tempo ajudou a consolidar a investigação. Em corridas de rua desse porte, o cruzamento entre registros de percurso e imagens costuma ser decisivo porque o resultado não depende apenas da linha de chegada, mas de sinais distribuídos em vários pontos do trajeto.

De acordo com o material da ncnews.com.br, a fotografia que alimentou a apuração foi enviada por outro participante da prova à OMTIU, que depois publicou os dados e as imagens. Esse tipo de registro externo ganhou peso porque veio de alguém que estava na mesma competição e pôde observar a irregularidade no percurso.

O pedido de desculpas de Sun

Depois da repercussão, Sun publicou um pedido de desculpas na RedNote, rede chinesa na qual reúne mais de 500 mil seguidores e costuma compartilhar conteúdos ligados à corrida. Na manifestação, ela admitiu que usou a bicicleta durante a prova e reconheceu que a atitude contrariou as regras da competição.

A influenciadora afirmou que se sentia mal durante a corrida, mas deixou claro que isso não justificava a decisão. Também reconheceu que omitiu o episódio quando publicou o resultado nas redes sociais, o que ampliou o desgaste do caso diante do público que acompanha sua rotina esportiva.

Usar uma bicicleta durante a Maratona de Berlim de fato violou as regras da prova, afirmou Sun em sua declaração, segundo traduções divulgadas por veículos internacionais.

Ela ainda classificou a própria conduta como desonesta e disse sentir culpa pelo ocorrido. A retratação mudou o rumo da história, que antes era vendida pela influenciadora como uma conquista individual e acabou tratada como infração disciplinar.

Na versão apresentada por Sun à imprensa internacional, o mal-estar teria começado perto da parte final da corrida. A atleta disse que subiu na bicicleta de um amigo enquanto tentava localizar um integrante da organização para informar que deixaria a prova, mas depois acabou voltando ao ponto em que teria entrado no veículo antes de retomar a corrida.

Resultado anulado pelos organizadores

Os organizadores retiraram o tempo de 4h53min46s da classificação oficial e desclassificaram a influenciadora. A punição foi formalizada nesta quarta-feira, encerrando qualquer possibilidade de manter o resultado como válido na maratona alemã.

A decisão ocorreu depois de a organização confrontar os dados da corrida com o material reunido pela unidade de integridade. Em provas de rua, a validação do desempenho depende justamente da consistência entre percurso, parciais e registros ao longo da disputa, o que explica a rapidez com que o caso foi tratado.

No entendimento dos organizadores, o uso da bicicleta descaracterizou a passagem de Sun pelo trajeto e comprometeu o resultado divulgado ao público. A desclassificação foi a consequência direta da quebra das regras, independentemente do motivo apresentado pela atleta para ter aceitado a carona.

O efeito comercial da punição

A repercussão não ficou restrita à parte esportiva. A Brooks China, marca que mantinha parceria com Sun, anunciou o encerramento da relação depois de verificar as informações sobre a prova. A empresa afirmou ter tomado a decisão de forma imediata após checar o episódio.

Segundo a companhia, a postura adotada no caso não combinava com os valores que a marca diz defender. A Brooks China também reafirmou o compromisso com integridade, justiça e espírito esportivo nas corridas, sinalizando que a relação comercial dependia da imagem construída em torno da participação da influenciadora.

O desfecho reforça como o impacto de uma maratona pode ultrapassar o campo da classificação oficial. Para uma criadora de conteúdo esportivo, a perda de parceria pesa porque atinge a credibilidade pública, o principal ativo de quem transforma desempenho em vitrine digital.

Por que o caso repercutiu tanto

O episódio chamou atenção porque reuniu três elementos muito sensíveis em provas de resistência: uma figura conhecida nas redes, um tempo divulgado como recorde pessoal e imagens que contrariavam o resultado apresentado. Quando esse tipo de discrepância aparece, o debate sobre mérito esportivo cresce de forma imediata.

A Maratona de Berlim também ajudou a ampliar a repercussão por ser uma prova tradicional do calendário internacional. Em eventos assim, a checagem dos trechos intermediários costuma funcionar como ferramenta de controle, já que a distância oficial precisa ser cumprida integralmente para que o resultado seja aceito.

O caso ainda recolocou em pauta exemplos antigos de fraude em grandes maratonas. O mais citado é o de Rosie Ruiz, acusada em 1979 de deixar o percurso da Maratona de Nova York e usar o metrô antes de reaparecer perto da chegada, um episódio que continua lembrado como símbolo de trapaça em corrida de rua.

Entre os leitores e entre quem acompanha corrida nas redes, a discussão agora gira em torno do que pesa mais na era digital: a imagem de finalista publicada logo após a prova ou a sequência de dados que a organização usa para confirmar cada metro percorrido. No caso de Sun, a resposta já veio das duas frentes e apontou para a mesma conclusão.

O que muda para a atleta e para a prova

Para Sun, o efeito imediato é a retirada do resultado, a exposição pública e a perda do vínculo comercial com a marca esportiva. Para a Maratona de Berlim, o caso serve como demonstração de que imagens externas e registros internos seguem decisivos para validar a integridade de uma corrida de rua.

A cobertura de veículos internacionais também mostrou que a pressão por desempenho nas redes pode empurrar influenciadores a tentar sustentar uma narrativa esportiva que não resiste à verificação técnica. Quando isso acontece, o dano costuma ser maior do que uma simples desclassificação, porque atinge a confiança de seguidores, patrocinadores e organizadores ao mesmo tempo.

O episódio terminou com punição oficial e retratação pública, mas ainda deixa uma mensagem clara para provas desse porte: a chegada não basta quando o percurso inteiro pode ser reconstituído por fotos, parciais e registros cruzados por quem fiscaliza a corrida.

Perguntas frequentes

Quando a desclassificação foi confirmada? Na quarta-feira, após a análise das imagens e dos tempos da corrida.

Qual foi o tempo retirado? O resultado excluído foi de 4h53min46s.

Quem identificou a irregularidade? A OMTIU, com apoio de fotos e parciais da prova.

O caso teve consequência fora da corrida? Sim, a Brooks China encerrou a parceria com a influenciadora.

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