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Conselho do Vasco aprova venda de 90% da SAF por R$ 4 bilhões

Conselho Deliberativo deu aval à proposta; a conclusão depende da votação dos sócios em assembleia extraordinária e de tramitação judicial.

· 7 min de leitura
Conselho do Vasco aprova venda de 90% da SAF por R$ 4 bilhões
Foto: Diego Baravelli / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em poucas linhas

  • Conselho Deliberativo aprovou a venda de 90% da SAF para a Almirante Participações.
  • A reforma do estatuto também passou e foi tratada como etapa necessária para o novo desenho societário.
  • A operação ainda depende da Assembleia Geral extraordinária dos sócios e de procedimentos judiciais.
  • As fontes relatam debate sobre salvaguardas, transparência e composição do conselho de administração.

O Conselho Deliberativo do Vasco aprovou na terça-feira a venda de 90% da SAF para a Almirante Participações, empresa ligada a Marcos Lamacchia, mas a operação ainda depende da decisão final dos sócios em Assembleia Geral extraordinária.

O que o conselho aprovou

A votação principal terminou com 175 votos favoráveis, 26 contrários e 3 abstenções, segundo as fontes consultadas. Na mesma sessão, os conselheiros também aprovaram a reforma do estatuto social, em deliberação separada que registrou 172 votos a favor, 34 contra e 5 abstenções.

Esse segundo aval foi tratado como etapa indispensável para adequar a estrutura do clube às exigências jurídicas do novo investidor. Com isso, o processo avançou dentro do rito interno, mas sem encerrar a negociação.

O movimento representa uma mudança relevante na estrutura do futebol vascaíno, porque transfere para a empresa compradora a fatia majoritária da SAF. O clube associativo, pela proposta relatada, permanece com participação minoritária e direitos especiais previstos na operação.

Quem é o comprador e o que muda na SAF

As reportagens apontam a Almirante Participações e Empreendimentos S.A. como a companhia que vai assumir o controle da SAF, com Marcos Lamacchia e Mário Junqueira entre os sócios. O nome de Lamacchia aparece como o principal rosto da proposta aprovada pelo conselho.

O desenho societário informado pelas fontes coloca a empresa como detentora de 90% das ações, enquanto a associação vascaína fica com 10% após a alteração estatutária aprovada. O Times Brasil registra que a redução da fatia do clube social foi justamente um dos pontos chancelados pelos conselheiros na mesma noite.

Na prática, a decisão abre caminho para uma nova gestão do futebol, com definição mais clara de comando empresarial na SAF. Ainda assim, essa configuração só será efetivada se os associados confirmarem a proposta na etapa seguinte.

O peso financeiro da proposta

Alan Belaciano, presidente da Assembleia Geral, afirmou durante a reunião que o Vasco vendeu 90% das ações por um montante global estimado em R$ 4 bilhões. Ele usou esse valor para defender a relevância do acordo diante das críticas à condução da análise do contrato.

O Times Brasil informa que a proposta vinculante apresentada pela Almirante Participações prevê um aporte de R$ 500 milhões, distribuído em parcelas anuais de R$ 100 milhões. Segundo a mesma fonte, o dinheiro será destinado exclusivamente ao futebol até 2030.

Ainda de acordo com o Times Brasil, o acordo também prevê R$ 150 milhões para infraestrutura, com investimento ligado ao centro de treinamento do profissional e da base. A reportagem acrescenta que o contrato inclui ainda projetos de incentivo fiscal com potencial de obtenção de até R$ 150 milhões ao longo de dez anos.

As dívidas e as obrigações previstas no contrato

As fontes indicam que a operação não se limita à compra de ações. O pacote inclui assunção de dívidas e obrigações ligadas à recuperação judicial, compromissos tributários e demais passivos da SAF, além de desembolsos para infraestrutura e manutenção do fluxo do projeto.

O UOL informa que, se faltar dinheiro para cumprir compromissos relacionados à recuperação judicial, dívidas tributárias, obrigações extraconcursais, fluxo de caixa ou infraestrutura, Lamacchia terá de fazer aportes adicionais sem aumentar sua participação. O veículo também relata que esse mecanismo pesa na estimativa total da operação.

Na mesma linha, o Times Brasil afirma que o contrato prevê a possibilidade de novos aportes caso a SAF não tenha recursos suficientes para honrar as obrigações previstas. Isso inclui a manutenção da operação esportiva e o cumprimento dos compromissos assumidos no desenho da negociação.

As proteções contratuais e o uso de São Januário

O UOL relata que o contrato cria uma trava que impede a distribuição de dividendos aos acionistas durante dez anos. A intenção, segundo a própria fonte, é reinvestir o que for gerado pela operação no futebol do clube.

O mesmo veículo informa que a Almirante Participações não poderá vender sua participação nesse período. Caso algum aporte obrigatório não seja cumprido, o Vasco teria uma procuração para executar a dívida contra a empresa e contra os sócios da companhia.

Também há previsão para o uso de São Januário. O acordo citado pelo UOL estabelece exclusividade para a Almirante Participações até 2030, com pagamento anual de R$ 3 milhões pelo estádio e R$ 2 milhões por ano em caso de obras.

Esse ponto reforça que a negociação envolve não apenas o controle da SAF, mas também a relação entre o futuro investidor e a estrutura física ligada ao futebol vascaíno. É uma peça central do contrato e aparece entre os itens mais sensíveis da operação.

As dúvidas levantadas na reunião

Antes da votação, Luis Manuel Fernandes, presidente do Conselho de Beneméritos, apontou preocupação com a falta de salvaguardas protetivas. Segundo o material, ele criticou a ausência de cláusulas de recompra ou de uma saída amigável em caso de inadimplência do comprador.

No parecer técnico lido durante a reunião, Fernandes afirmou que o contrato não estabelecia mecanismos claros para o clube encerrar ou rever sua participação em hipóteses de descumprimento de obrigações essenciais, alteração das condições econômicas do negócio ou perda de capacidade financeira do investidor. A posição dele marcou o início do debate mais duro da noite.

Ao mesmo tempo, integrantes da oposição cobraram maior transparência sobre a influência direta do comprador na escolha dos membros do Conselho de Administração da nova empresa. O questionamento mostrou que, mesmo com maioria no conselho, a proposta ainda enfrenta resistência política interna.

A defesa do acordo e a pressão por mais clareza

Na defesa da negociação, Alan Belaciano afirmou que o valor global da operação justificava a celeridade da análise. Ele comparou o acordo em discussão com o contrato rescindido da antiga controladora e usou essa diferença para sustentar a aprovação.

O UOL também relatou um momento de tensão na reunião, com o presidente Pedrinho ameaçando um conselheiro de processo após ser questionado fora do microfone. A cena deu o tom de uma sessão marcada por debates fortes e divergências expostas em plenário.

Apesar da aprovação no conselho, as dúvidas levantadas sobre governança, salvaguardas e composição da futura administração mostram que o tema ainda deve seguir no centro da discussão vascaína. A etapa no colegiado, embora importante, não encerra a disputa em torno do modelo societário.

O que falta para a operação andar

O aval do Conselho Deliberativo não significa que o negócio foi sacramentado. Segundo o UOL e o Lance!, falta agora a Assembleia Geral Extraordinária, onde a proposta será submetida aos sócios do clube.

A mesa diretora já convocou essa etapa final, que terá caráter decisivo dentro do processo interno. Ainda não há data marcada, e os associados terão a palavra final sobre a transferência das ações e a reforma estatutária aprovada no conselho.

Além da votação dos sócios, as fontes citam que a conclusão da operação ainda depende de procedimentos judiciais relacionados à arrematação e à transferência dos ativos da antiga para a nova SAF. Ou seja, o caminho segue aberto, mas ainda não concluído.

Se a proposta for confirmada na assembleia, o Vasco passará a ter uma nova configuração de comando no futebol, com a Almirante Participações na condição de controladora da SAF. Até lá, o processo permanece em andamento e sob análise interna e judicial.

FAQ

O negócio já foi fechado?

Não. O Conselho Deliberativo aprovou a proposta, mas a operação ainda depende da Assembleia Geral extraordinária dos sócios e de procedimentos judiciais.

Quem passa a controlar a SAF se tudo for aprovado?

A Almirante Participações, ligada a Marcos Lamacchia, ficará com 90% das ações da SAF, segundo as fontes.

O clube associativo desaparece da operação?

Não. As reportagens indicam que o Vasco associativo mantém 10% da SAF e direitos especiais previstos no acordo.

O que ainda pode travar a conclusão?

A aprovação final dos sócios na assembleia e a tramitação judicial ligada à transferência dos ativos ainda são etapas obrigatórias.

Fontes

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