Monaco Basket acumula dívida de 27,8 milhões e suspende atividades
Campeão francês teve insolvência decretada pela Justiça de Monaco e suspendeu as atividades por tempo indeterminado.
Em poucas linhas
- O Monaco Basket informou nesta quarta-feira que entrou em insolvência e suspendeu as atividades por tempo indefinido.
- A Justiça de Mônaco apontou ausência de ativos e abriu caminho para possível liquidação ou recuperação judicial.
- O clube foi excluído de torneios nacionais e continentais e agora tenta recorrer da decisão em até 15 dias.
O Monaco Basket anunciou nesta quarta-feira que entrou em processo de insolvência e vai suspender suas atividades por tempo indeterminado. A informação foi divulgada pelo próprio clube, que enfrenta uma crise financeira agravada nos últimos meses e já soma passivos superiores a 27,8 milhões de euros, segundo o ge.
O anúncio e a decisão da Justiça
Em comunicado oficial, o clube disse que fará uma pausa na esperança de encontrar um caminho para a reestruturação e retomar o projeto no futuro. O texto também registra que a equipe deixa a quadra depois de uma temporada nacional invicta, com todos os principais troféus franceses no currículo.
A situação de insolvência foi declarada pelo Tribunal de Primeira Instância de Monaco. De acordo com a decisão, este é o primeiro passo de um processo que pode terminar em liquidação judicial ou recuperação judicial. O clube tem 15 dias para recorrer.
Antes disso, o Monaco já havia tentado uma resposta em caráter de urgência no Tribunal Administrativo de Paris, sem obter posicionamento até aqui. A sequência de medidas mostra como o problema saiu do plano esportivo e passou a ser uma discussão jurídica e financeira.
Uma temporada vencedora que terminou em crise
O contraste com o ano esportivo é grande. Na temporada 2025/2026, o Monaco conquistou uma campanha histórica ao levantar quatro títulos nacionais e ainda avançar aos playoffs da Euroliga. O desempenho colocava o clube entre as potências recentes do basquete europeu.
O sucesso em quadra, porém, não impediu a deterioração das contas. A gestão de Aleksej Fedorychev, bilionário russo que controlava o clube, foi pressionada depois do congelamento de suas contas com o início da guerra na Ucrânia. Mesmo assim, o Monaco precisou de um empréstimo de 21 milhões de euros do Principado de Monaco para concluir a última temporada.
Segundo o portal francês BeBasket, havia a expectativa de compensação financeira caso o projeto esportivo continuasse, mas isso não ocorreu. No fim da campanha, a estrutura passou a acumular mais obstáculos do que soluções.
Exclusão das ligas e perda de licença
Depois do agravamento da crise, o Monaco perdeu a licença profissional para disputar a liga francesa e foi impedido de competir nas duas primeiras divisões nacionais. A exclusão ampliou o impacto esportivo da crise e fechou portas para a continuidade dentro do calendário profissional do país.
O clube chegou a trabalhar com a ideia de montar um time para se inscrever na Nationale 1, considerada a terceira divisão francesa. O pedido foi rejeitado pela Federação Francesa de Basquete e pelo Comitê Nacional Olímpico e Esportivo Francês, que apontaram ausência de garantias financeiras e administrativas.
Sem espaço no cenário interno, o Monaco ainda buscou uma alternativa fora da França e negociou uma participação na Liga Adriática, competição de clubes dos Bálcãs. A iniciativa, porém, também não avançou.
Busca por investidor e tentativas frustradas
Diante da crise, o Monaco passou a procurar um novo investidor. O nome do ex NBA Jamal Mashburn surgiu como o mais próximo de um acerto, mas o negócio não saiu do papel. Em outro momento, o jornal L'Équipe chegou a informar que Ronaldinho Gaúcho havia entrado na disputa, embora a negociação também não tenha avançado.
Em setembro, o clube anunciou um novo acionista sem revelar a identidade. Mesmo com a troca societária, a solução não foi suficiente para estabilizar a situação econômica e garantir a manutenção da estrutura profissional.
Com a falta de alternativas, o clube deixou de pagar seus funcionários e passou a aguardar a definição da Justiça. A partir daí, o processo deixou de ser apenas administrativo e passou a envolver a própria sobrevivência da instituição.
O que acontece com o projeto esportivo
Ao declarar a insolvência, o tribunal apontou a ausência de ativos disponíveis no AS Monaco e fixou como data de início da situação o dia 1º de julho de 2026. A decisão deixou o clube fora das competições profissionais e com futuro indefinido no basquete masculino de alto nível.
O que resta, por enquanto, é a equipe de formação, tratada como amadora, que atua na quinta divisão nacional. Na prática, a estrutura competitiva do clube foi reduzida ao trabalho de base enquanto a diretoria tenta reverter ou reorganizar a crise.
Mesmo assim, o peso esportivo da marca segue evidente. O Monaco construiu uma trajetória rápida na elite do basquete francês, com títulos nacionais e presença consistente em torneios continentais ao longo da última década.
Como o clube chegou até aqui
Esta não é a primeira ruptura financeira da história do AS Monaco. Em 1991, o clube deixou o cenário profissional depois de uma primeira liquidação judicial. O retorno só aconteceu em 2008/2009, pela quarta divisão, antes da escalada até a elite.
Na caminhada recente, o Monaco chegou à primeira divisão em 2015/2016 e permaneceu por 11 temporadas entre os melhores do país. Nesse período, conquistou três títulos da liga francesa, duas Copas da França e quatro edições da Leaders Cup, além de ter vencido a EuroCup em 2021.
No cenário europeu, o clube disputou as cinco últimas temporadas da Euroliga, alcançou dois Final Fours e terminou como vice-campeão em 2024/2025. O cenário atual, porém, interrompe uma fase de crescimento que vinha projetando a equipe como referência continental.
O impacto imediato para o basquete europeu
A suspensão das atividades de um campeão nacional afeta não só o calendário local, mas também o equilíbrio das competições da região. O Monaco vinha sendo tratado como uma das forças mais estáveis da França e um adversário frequente em alto nível no continente.
Agora, a prioridade passa a ser a tentativa de reestruturação. O clube falou em pausa e esperança de retomada futura, mas não apresentou prazo nem indicou, por enquanto, qual caminho financeiro poderá sustentar esse retorno.
O caso também expõe a diferença entre desempenho esportivo e saúde financeira. Em quadra, o Monaco viveu sua fase mais vitoriosa. Fora dela, acumulou passivos, perdeu garantias e acabou empurrado para uma pausa sem data para acabar.
Próximo passo no processo
Com a insolvência declarada, o recurso no prazo estabelecido passa a ser a primeira resposta formal do clube. A partir daí, a Justiça pode manter o caminho para liquidação judicial ou abrir espaço para recuperação, dependendo da análise dos próximos movimentos da diretoria e dos credores.
No curto prazo, a notícia mais concreta é a interrupção das atividades profissionais do Monaco Basket. Até que haja uma decisão reversão ou uma nova solução financeira, o clube seguirá afastado das competições e dependente do desfecho jurídico.
Para o torcedor e para o basquete francês, fica a imagem de uma equipe que venceu tudo dentro do país, mas não conseguiu sustentar fora de quadra a estrutura necessária para seguir no topo.
Perguntas frequentes
O Monaco Basket ainda pode voltar às competições?
Pode, mas isso depende do recurso ao tribunal e de uma eventual reestruturação financeira que permita retomar o projeto.
O clube foi excluído de quais competições?
A decisão citada no material impede a participação em torneios nacionais e continentais enquanto a crise não for resolvida.
Quem controla o processo agora?
A situação está sob análise da Justiça de Monaco, com possibilidade de recurso pelo clube dentro do prazo indicado.
O que restou ao projeto esportivo?
Segundo a decisão, apenas a equipe de formação, que segue no circuito amador da quinta divisão nacional.
Fontes
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