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Brasileirão

Remo e Internacional têm a tabela mais difícil do Z-4

Levantamento do ge com o Gato Mestre mostra que os dois clubes lideram o ranking de dificuldade entre os ameaçados pela queda.

· 6 min de leitura
Remo e Internacional têm a tabela mais difícil do Z-4
Foto: Jossiano/Pixabay (ilustrativa)

Em poucas linhas

  • Remo e Internacional dividem o topo do ranking de dificuldade publicado pelo ge.
  • Chapecoense, Vasco e Grêmio também aparecem com sequência pesada na reta final.
  • Vitória e Corinthians surgem com o caminho teoricamente menos complicado entre os citados.

O Brasileirão entra nas últimas 10 rodadas com pelo menos oito clubes ainda envolvidos na briga contra o rebaixamento, e um levantamento do ge aponta Remo e Internacional como os que terão o caminho mais duro até o fim da competição.

Como o ge mediu a dureza da tabela

Para montar o ranking, o ge recorreu aos dados do Gato Mestre. A equipe de estatística levou em conta o desempenho de cada time como mandante e visitante na atual edição da Série A para calcular a média de pontos dos próximos adversários de cada postulante à permanência.

O critério não se apoia apenas na colocação dos rivais. A ideia é medir o peso real da sequência restante a partir do que cada adversário entregou ao longo do campeonato, o que ajuda a diferenciar uma reta final teoricamente tranquila de outra mais ingrata mesmo quando há distância pequena entre os oponentes na tabela.

O levantamento usa uma lógica parecida com a de análises de desempenho mais amplas, como as que o Gato Mestre aplica em modelos de gols esperados. Nesse tipo de estudo, a força de uma equipe não depende de um único resultado, mas do comportamento repetido em diferentes cenários de jogo, algo que também orienta a leitura da dificuldade do calendário.

Remo e Internacional dividem o topo da dificuldade

Entre os times já dentro da zona de rebaixamento, Remo e Internacional aparecem com o cenário mais pesado. Os próximos rivais dos dois somam média de 46,8% dos pontos disputados, o índice mais alto da lista divulgada pelo ge.

Na prática, isso significa que a reta final da dupla passa por adversários que, em média, vêm conseguindo desempenho superior ao de boa parte dos concorrentes da parte de baixo da tabela. O recorte ajuda a explicar por que ambos surgem no topo da projeção mesmo antes de qualquer bola rolar nas rodadas finais.

Chapecoense e Vasco também têm reta final complicada

Logo atrás aparecem Chapecoense, com 46,3%, e Vasco, com 46%. As duas equipes têm um jogo a menos porque ainda se enfrentam em partida atrasada da 21ª rodada, em data a definir, o que altera a leitura do calendário restante em relação aos demais concorrentes.

Esse ajuste é relevante porque faz com que o recorte de cada clube não seja idêntico em número de compromissos já confirmados. Em uma disputa tão apertada, um jogo adiado pode pesar tanto quanto uma sequência longa de adversários fortes, já que mexe com a ordem de recuperação de pontos e com o impacto direto sobre um rival da mesma faixa da tabela.

Grêmio e Mirassol completam o grupo seguinte

O Grêmio aparece como o quinto calendário mais difícil entre os times ainda ameaçados. Os últimos 10 adversários do clube gaúcho têm média de 44,9% dos pontos somados na competição, segundo a apuração do ge.

Na sequência, o Mirassol surge com 44,6%. O dado reforça que a reta final não concentra apenas pressão sobre quem já está no Z-4. Há também efeito sobre equipes que podem interferir diretamente na definição da zona de queda, seja por confronto direto, seja por cruzamentos de tabela que mudam a leitura rodada a rodada.

Vitória e Corinthians aparecem com o caminho menos duro

Na outra ponta do ranking, Vitória e Corinthians têm os cenários considerados menos complicados entre os clubes citados no levantamento. O time baiano encerra a projeção com média de 41,7% dos pontos dos adversários restantes, enquanto o clube paulista fica com 41,2%.

A diferença em relação aos times do topo da lista mostra como a reta final pode variar dentro da mesma competição. Mesmo entre equipes ameaçadas, o nível de exigência do calendário muda bastante de acordo com o desempenho acumulado pelos adversários ao longo da temporada.

O que o modelo leva em conta na análise

Além do recorte usado para medir a tabela, o Gato Mestre trabalha com um modelo de gols esperados que se baseia em 5.217 jogos do Brasileirão desde 2013. A métrica reúne finalizações cadastradas em diferentes contextos para estimar a chance de um chute virar gol.

Entre as variáveis consideradas estão a distância e o ângulo da finalização, a presença ou não do goleiro, a parte do corpo usada na conclusão, a forma como a bola foi dominada, o tipo de assistência, o tempo de jogo, a idade do atleta, a altura do goleiro em bolas aéreas, a diferença no placar e até o valor de mercado dos elencos em cada temporada, com dados do Transfermarkt como referência de qualidade do grupo.

O próprio sistema citado pelo ge também leva em conta a origem do lance, como pênalti, escanteio, cruzamento, falta direta, roubada de bola ou lateral. Em uma finalização da meia-lua, por exemplo, a expectativa de gol é menor do que em uma chance criada mais perto da área, e o modelo transforma essa diferença em probabilidade estatística ao longo dos jogos.

Poisson bivariada e simulação de cenários

As projeções do Gato Mestre são construídas com base em uma distribuição estatística chamada Poisson Bivariada, usada para calcular a probabilidade de eventos, no caso os gols de cada equipe, dentro de um intervalo de tempo, que é a partida.

Depois disso, o método de Monte Carlo entra para gerar os cenários do campeonato. Para cada jogo ainda não disputado, o modelo faz dez mil simulações, o que permite transformar o comportamento esperado das equipes em probabilidades de resultado e em leituras sobre a posição final na tabela.

Esse tipo de abordagem não define o que vai acontecer em campo, mas organiza a disputa em faixas de chance. No recorte da luta contra o rebaixamento, isso ajuda a mostrar por que um time pode estar melhor ou pior posicionado mesmo sem diferença grande de pontos no momento da análise.

Briga aberta até a última rodada

O cenário ganha peso porque o campeonato entrou justamente na reta decisiva, com oito clubes ainda vivos na disputa para escapar da queda. O ranking publicado pelo ge mostra que o grau de dificuldade não é igual para todos, e isso tende a influenciar a forma como cada equipe administra a pressão até o fim.

Quem tem um calendário mais duro precisa lidar com mais adversários de desempenho alto, enquanto quem aparece com índice menor enfrenta, ao menos na projeção, rivais menos fortes. Ainda assim, o equilíbrio da parte de baixo da tabela faz com que uma boa sequência possa mudar rapidamente a fotografia da competição.

Na prática, a reta final combina dois movimentos ao mesmo tempo: a necessidade de somar pontos e o impacto direto nos concorrentes que tropeçam. É esse encaixe entre desempenho próprio e dificuldade dos adversários que ajuda a explicar por que a definição do Z-4 costuma ficar aberta até as últimas rodadas.

CONFIRMADO: a informação principal é do ge, com levantamento do Gato Mestre sobre a dificuldade das últimas rodadas do Brasileirão.

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